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Sobre os Novos Céus e Nova Terra (um perspectiva)

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Sobre os Novos Céus e Nova Terra (um perspectiva)

Mensagem por Admin em Qui Abr 11, 2013 6:55 am

Sobre os Novos Céus e Nova Terra

(2Pe. 3:13)

John Owen

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

Eles voluntariamente ignoram isto, que pela palavra de
Deus já desde a antiguidade existiram os céus, e a terra,
que foi tirada da água e no meio da água subsiste.
Pelas quais coisas pereceu o mundo de então, coberto
com as águas do dilúvio,
Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma
palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o
fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios.
Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o
Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia.
O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a
têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não
querendo que alguns se percam, senão que todos venham
a arrepender-se.
Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual
os céus passarão com grande estrondo, e os elementos,
ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se
queimarão.
Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas
vos convém ser em santo trato, e piedade,
Aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de
Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os
elementos, ardendo, se fundirão?
Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus
e nova terra, em que habita a justiça. (2 Pedro 3:5-13)


O apóstolo faz uma distribuição do mundo em céus e terra, e diz que eles
foram destruídos por meio de água, e pereceram. Sabemos que nem a
estrutura nem a substância de nenhum dos dois foram destruídas, mas
somente os homens que viviam na Terra; e o apóstolo nos fala (v. 7) dos céus e
terra que existiram, e foram destruídos pela água, distinguindo dos céus e terra que agora
existem, e serão consumidos pelo fogo; contudo, quanto à estrutura visível do céu e
da terra era a mesma antes do dilúvio como nos tempos do apóstolo, e
permanece até agora; porém, é certo que os céus e a terra, dos quais o
apóstolo fala, seriam destruídos e consumidos pelo fogo naquela geração.
Portanto, para esclarecer um pouco o nosso fundamento, devemos considerar
o que quis dizer o apóstolo com céus e terra nesses dois versículos.

1. É seguro que o que o apóstolo quer dizer com “o mundo”, com seus
céus e terra (v. 5, 6), que foram destruídos; o mesmo, ou algo similar, quer
dizer com os céus e terra que seriam consumidos e destruídos pelo fogo (v. 7);
do contrário, não haveria nenhuma coerência no discurso do apóstolo, nem
tampouco algum tipo de argumento, mas uma mera falácia de palavras.
2. É certo que o dilúvio não destruiu o mundo, nem a estrutura do céus
e terra, mas apenas os habitantes do mundo; e, portanto, a destruição por fogo
a que se refere não é da substância do céus e terra, que não serão consumidos
até o último dia, mas de pessoas ou homens que viviam no mundo.
3. Logo, devemos considerar em que sentido se diz dos homens que
vivem no mundo que são o mundo, e os céus e terra dele. Insistirei apenas
num exemplo para esse propósito entre os muitos que poderiam ser
apresentados: Isaías 51:15,16. “Porque eu sou o SENHOR teu Deus, que agito o
mar, de modo que bramem as suas ondas. O SENHOR dos Exércitos é o seu nome. E
ponho as minhas palavras na tua boca, e te cubro com a sombra da minha mão; para
plantar os céus, e para fundar a terra, e para dizer a Sião: Tu és o meu povo”. O tempo
da obra aqui mencionada, de plantar os céus e lançar o fundamento da terra,
foi quando Deus dividiu o mar (v. 15) e quando deu a lei (v. 16), e disse a Sião:
“Tu és o meu povo”; isto é, quando tirou aos filhos de Israel do Egito e
formou deles uma Igreja e Estado no deserto; então ele plantou os céus e
lançou o fundamento da terra; isto é, produziu ordem, governo e beleza da
confusão na qual se encontravam antes. Esse é o sentido de plantar os céus e
lançar o fundamento da terra no mundo. E tanto é assim que quando se
menciona a destruição de um Estado ou governo, aquela linguagem que
parece falar do fim do mundo é usada. Por exemplo, Isaías 34:4: “E todo o
exército dos céus se dissolverá, e os céus se enrolarão como um livro; e todo o seu exército
cairá, como cai a folha da vide e como cai o figo da figueira”; essas são palavras que
falam da destruição do Estado de Edom. O mesmo é afirmado também do
Império Romano (Ap. 6:14), que os judeus constantemente afirmavam ser o
significado de Edom nos profetas. E na profecia de nosso Salvador sobre a
destruição de Jerusalém (Mt. 24:5), Ele usa expressões da mesma importância.

É evidente, portanto, que no idioma e maneira de falar profética, por céus e
terra freqüentemente se entende o Estado civil e religioso e a combinação dos
homens no mundo, e os homens dela. Assim, esse tipo de céus e terra é que
foi destruído pelo dilúvio.

4. Sobre esta base, afirmo que os céus e terra aqui nesta profecia de
Pedro, a vinda do Senhor, o dia do julgamento e perdição dos homens ímpios,
mencionados na destruição daquele céu e terra, tudo isso, não têm referência
ao último e final julgamento do mundo, mas à destruição e desolação que iria
cair sobre a igreja e o Estado judaicos; e ofereço duas razões das muitas que
poderiam ser usadas a partir do texto:

(1) Porque, seja o que for mencionado aqui, deve ter influência peculiar
sobre os homens daquela geração. Ele fala daquilo que tinha a ver com os
escarnecedores profanos e com os escarnecidos, e de que, como judeus, alguns
deles criam na fé, e outros se opunham. Ora, não havia naquela geração
nenhuma preocupação particular, nem por aquele pecado, nem por aquelas
zombarias, com relação ao dia do julgamento em geral; mas havia um alívio
peculiar por um lado, e um temor peculiar pelo outro, que estava próxima a
terrível destruição da nação judia; e, além disso, havia testemunho amplo tanto
por um como pelo outro do poder e domínio do Senhor Jesus Cristo, que era
aquilo que estava em questão entre eles.

(2) Pedro lhes diz, após a destruição e julgamento dos quais fala nos
versículos 7-13: “Nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e
nova terra’, etc. Eles tinham uma esperança. Mas qual era essa promessa?
Onde a encontramos? Bem, encontramo-la nas mesmas palavras e na mesma
carta, Isaías 65:17: “Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não
haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão”. Agora,
quando Deus criaria esse novos céus e nova terra, onde habita a justiça? Diz
Pedro: “Será após a vinda do Senhor, depois do julgamento e destruição dos
ímpios, que não obedecem ao evangelho, dos quais já tinha falado”. Mas agora
é evidente, a partir da passagem de Isaías 66:21-22, que essa é uma profecia
para os tempos do Evangelho somente: “E também deles tomarei a alguns para
sacerdotes e para levitas, diz o SENHOR. Porque, como os novos céus, e a nova terra, que
hei de fazer, estarão diante da minha face, diz o SENHOR, assim também há de estar a
vossa posteridade e o vosso nome”; e que a plantação desses novos céus nada é
senão a criação daquelas ordenanças do Evangelho que devem perdurar para
sempre. O mesmo é expresso em Hebreus 12:26-28: “A voz do qual moveu então
a terra, mas agora anunciou, dizendo: Ainda uma vez comoverei, não só a terra, senão
também o céu. E esta palavra: Ainda uma vez, mostra a mudança das coisas móveis, como
coisas feitas, para que as imóveis permaneçam. Por isso, tendo recebido um reino que não
pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com
reverência e piedade”.


Sendo esse o desígnio da passagem, não insistirei mais no contexto, mas
explicarei brevemente as palavras propostas, e me concentrarei na verdade
contida nelas.

Primeiro, há uma base para a inferência e exortação do apóstolo, vendo
que todas essas coisas, a despeito de quão preciosas possam parecer, ou do
valor que alguém possa colocar sobre elas, serão dissolvidas, isto é, destruídas;
e isso na forma terrível e apavorante antes mencionada, num dia de
julgamento, ira e vingança, por meio do fogo e espada; deixe que os outros
zombem das admoestações da vinda de Cristo: Ele virá – não tardará; e então
os céus e terra que Deus mesmo plantou, - o sol, a lua, e as estrelas do sistema
e igreja judias – o velho mundo de adoração e adoradores, os que agora se
opõem obstinadamente ao Senhor Jesus, devem ser dissolvidos e destruídos:
sabemos que isso seria o fim dessas coisas, e ocorreria em breve.
Não existe nenhuma constituição externa nem estrutura de coisas nos
governos ou nações, que não esteja sujeita à destruição, e possa recebê-la,
como forma de julgamento. Se alguém deseja que seja excluído, e isso ocorre
em muitos casos, daquilo que o apóstolo fala em termos proféticos (porque
ainda não era tempo de declarar abertamente a todos), pode apresentar sua
solicitude.

Fonte: Sermon on 2 Peter iii. 11, John
Owen, Works, folio, Reprinted 1721

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Re: Sobre os Novos Céus e Nova Terra (um perspectiva)

Mensagem por MateusAlcântara em Sex Abr 12, 2013 12:45 am

Irmão, eu creio que a terra (física) durará para sempre:

Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.
Eclesiastes 1:4

O que acontecerá é que a terra e o céu serão mudados:

E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos.
Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão,
E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão.
Hebreus 1:10-12

Isto é, Deus destruirá àqueles que destroem a terra:

Dizendo: Graças te damos, Senhor Deus Todo-Poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir, que tomaste o teu grande poder, e reinaste.
E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra.
Apocalipse 11:17-18

Quanto ao ímpio, as suas iniquidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido.
Ele morrerá, porque desavisadamente andou, e pelo excesso da sua loucura se perderá.
Provérbios 5:22-23

Porque os malfeitores serão desarraigados; mas aqueles que esperam no SENHOR herdarão a terra.
Pois ainda um pouco, e o ímpio não existirá; olharás para o seu lugar, e não aparecerá.
Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz.
Salmos 37:9-11

Se lermos Apocalipse 21, veremos que a Nova Jerusalém "desce" do céu para a nova terra. Ou seja, os ímpios serão eliminados, não haverá mais principado ou potestade, não necessitaremos mais de luz do sol, pois o Senhor quem nos iluminará (Apocalipse 22). Nós viveremos numa "nova terra", mas na mesma terra "física". Acho que você entendeu o que quis dizer. Apenas ficaremos no céu por algum tempo, depois desceremos, pois a Nova Jerusalém "desce" do céu.

Graça e Paz.

MateusAlcântara
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