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Tiago 2 contradiz Romanos 3? Claro que não!

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Tiago 2 contradiz Romanos 3? Claro que não!

Mensagem por Admin em Seg Abr 15, 2013 10:29 pm




Tiago 2 contradiz Romanos 3? Claro que não!

Pergunta: Tiago 2 contradiz Romanos 3?

Resposta:

O problema mais sério que esses versículos apresentam é a questão do que Tiago 2:24 significa: “Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente”. Alguns imaginam que isso contradiz Paulo em Romanos 3:28: “ Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independente das obras da lei”. João Calvino explicou essa aparente dificuldade:

O que certamente se vê é que ele (Tiago) fala da declaração ou manifestação, e não da imputação da justiça. Os que são justos pela fé comprovam a sua justiça pela obediência e pelas obras, e não por um sinal desnudo e imaginário de fé.

Em suma, Tiago não discute o meio pelo qual somos justificados, mas exige dos crentes aos quais escreve uma justiça que se manifeste pelas obras. E assim como Paulo afirma que o homem é justificado sem ajuda das suas obras, assim também Tiago não admite que aquele que se diz justo esteja desprovido de boas obras. Esta consideração nos liberta de todo escrúpulo. Porque os nosso adversários cometem abuso principalmente nisto: eles acham que Tiago determina qual é a maneira pela qual o pecado é justificado, ao passo que ele não busca outro fim senão abater a vã confiança daqueles que, para desculpar a sua negligência quanto à prática do bem, reivindicam falsamente o título da fé. Sim, pois, como eles torcem e retorcem as palavras de Tiago, não poderão deduzir mais que estas duas sentenças: A primeira é que uma vã imaginação sobre a fé não nos justifica. E a segunda é que o crente, não se satisfazendo com tal imaginação, declara que a sua justiça é pelas boas obras. [João Calvino, Institutas da Religião Cristã]

Tiago não está em divergência com Paulo. “Eles não são antagonistas, enfrentando-se num duelo com espadas: eles estão de costa um para o outro, confrontando inimigos diferentes do evangelho” [Alexander Ross, “The Epistle os james and john”, The New International Commentary on the New Testament )Grand Rapids:Eerdmans,1954),53]. Em 1:17-18, Tiago afirmou que a salvação é um dom concedido de acordo com a vontade soberana de Deus. Agora ele está enfatizando a importância do fruto da fé – o comportamento justo que a fé genuína sempre produz. Paulo, também, via as obras justas como prova necessária da fé.

Aqueles que imaginam que há uma discrepância entre Tiago e Paulo raramente observam que foi Paulo quem escreveu: “Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça? De modo nenhum!” (Rom. 6:15); e “uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (v.18). Assim, Paulo condena o mesmo erro que Tiago está expondo aqui. Paulo nunca defendeu nenhum conceito de fé dormente.

Quando Paulo escreve que “ninguém será justificado diante dele por obras da lei”(Rom.3:20), ele está combatendo um legalismo judaico que insistia sobre a necessidade das obras para ser justificado; Tiago insiste sobre a necessidade das obras na vida daqueles que já foram justificados pela fé. Paulo insiste que ninguém jamais poderá obter a justificação através dos seus próprios esforços...Tiago afirma que uma pessoa que alega já estar num relacionamento correto com Deus deve demonstrar, através de uma vida de boas obras, que já se tornou uma nova criatura em Cristo. Com isso Paulo concorda totalmente. Paulo estava removendo as “obras” que excluíam e destruíam a fé salvadora; Tiago estava estimulando uma fé indolente, que minimiza os resultados da fé salvadora na vida diária [D. Edmond Hiebert, The epistle of James (Chicago:Moody, 1979),175.].

Tiago e Paulo fazem eco a pregação de Jesus. A ênfase de Paulo é um eco de Mateus 5:3 “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus” (RC). O ensino de Tiago tem o som de Mateus 7:21: “ Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor!entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu pai, que está nos céus”. Paulo representa o começo do Sermão do monte; Tiago o término dele. Paulo declara que somos salvos pela fé sem as obras da lei. Tiago declara que somos salvos pela fé, que se evidencia nas obras. Tanto Tiago como Paulo veem as boas obras como a prova da fé – não o caminho para salvação.

Tiago não poderia ser mais explícito. Ele está confrontando o conceito de uma “fé” passiva e falsa, que é destituída dos frutos da salvação. Ele não está argumentando a favor da obras em adição ou à parte da fé. Ele está mostrando o porquê e como a verdadeira e viva fé sempre opera. Ele está lutando contra a ortodoxia morta e sua tendência de abusar da graça.

O erro que Tiago ataca é a fé sem obras; a justificação sem a santificação; a salvação sem a nova vida.

Novamente, Tiago ecoa o próprio Mestre, que insiste numa teologia de senhorio que envolva a obediência, não serviço labial. Jesus censurou severamente aqueles que são obedientes e o seguem apenas de nome: “ Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?” (Lucas 6:46). A fidelidade meramente verbal, ele disse, não levará ninguém ao céu: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus (Mt. 7:21).

Isso está em perfeita harmonia com Tiago: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somentes ouvintes, enganando-vos a vós mesmo” (1:22); pois “ a fé, se não tiver obras, por si só está morta” (2:17).

John MacArthur

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