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Uma repórter acompanha um BATISMO na Congregação do Brás

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Uma repórter acompanha um BATISMO na Congregação do Brás

Mensagem por Eldier Khristos em Qua Dez 01, 2010 10:16 am


Manhã de domingo. Duas mulheres com o cabelo batendo na cintura e vestidas com saias abaixo do joelho caminham pelas ruas do Brás (cen­ tro de São Paulo). Sigo-as. Meu palpite é que se dirigem ao mesmo destino que eu, a sede da igreja pentecostal Congregação Cristã no Brasil.

De fato, a dupla chega ao prédio construído na década de 1930, com capacidade para 4.000 pessoas sentadas nos bancos e nas galerias laterais, no alto.

Antes de entrar no templo, as duas retiram das bolsas véus brancos e cobrem a cabeça. Eu hesito, mas um senhor de terno na porta me encoraja: "Pode entrar, irmã".

Sob o teto sagrado da Congregação, mulheres e homens sentam-se separados. Conversas entre "irmãos" e "irmãs" são permitidas apenas do lado de fora da igreja.

Acomodo-me na ala feminina e noto "irmãs" com cabeças descobertas e outras de cabelos curtos. Também vejo "irmãs" de trajando calça _sinais de que cabem concessões na rígida doutrina da Congregação, classificada de "sectarista" por um sociólogo que entrevistei.

Enquanto penso nisso, uma senhora no banco de trás me cutuca. "Quer um véu, irmã?". Aceito.

Mulher, não. Em um púlpito sobre o altar desprovido de qualquer decoração _a não ser um letreiro que diz "em nome do Senhor Jesus"_, um homem prega. É um ancião, cargo máximo na hierarquia da Congregação Cristã no Brasil.

Qualquer homem presente pode pregar. Mulher, não. Porque a fala feminina é interdita­ da pelas cartas de Paulo (livros da Bíbla), explicam.

O discurso niilista do ancião fala da pequeneza do homem diante da vontade divina. "Você só está vivo hoje, irmão, porque é a vontade de Deus", grita.

Vozes femininas repetem: "Glória a Deus". Ou "Louvado seja o Senhor".

O burburinho é cortado por berros indecifráveis. Assusto-me antes de perceber que se trata de uma jovem "acometida por um espírito do cão".

Duas senhoras retiram-na da igreja, enquanto as demais mulheres permanecem imóveis, repetindo os louvores.

O ancião fala por quase uma hora. Ao final, revê os ensinamentos (doutrina) sobre o ba­ tismo, que acontece em seguida: menores de 12 anos, por exemplo, não podem ser batizados.

A congregação canta um hino. Da orquestra _com instrumentos de cordas e sopros, sem percussão_, participam apenas homens. Estão presentes cerca de 200 músicos da igreja.

As mulheres não participam da orquestra. O único instrumento reservado para elas é o órgão. E cantam.

A auxiliar de odontologia Kátia Holanda, 26, me oferece um livrinho: "Quer um hinário, irmã?". Canto a letra de um dos 450 hinos escritos com base em passagens bíblicas, especialmente salmos.

Batismo voluntário. Enquanto o hino é entoado, retiram o púlpito da frente do altar. Em seguida, o ancião ressurge. Trocou o terno por um traje cinza.

Ele entra no tanque de batismo, uma piscina que fica no fundo do altar. Mulheres descem pela esquerda, e homens, pela direita. Todos vestem o mesmo uniforme cinza.

"Irmão, eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo", diz o ancião que, em seguida, mergulha a cabeça da pessoa. A assembléia repete: "Amém!".

Os batizados voluntariam-se para o rito quando se sentem "tocados", explica Kátia.

Ela foi batizada há cinco anos e diz para eu não me preocupar, "que a gente sabe exatamente quando é chamado".

Entre um batismo e outro, o ancião convoca a assembléia a entoar um hino.

O rito encerra-se às 13h _o culto começara às 9h30. O ancião anuncia o saldo de batiza­ dos: 187 pessoas, número celebrado com mais um hino. Culto encerrado, os fiéis despedem-se se com o ósculo (beijo) santo: homens com homens, mulheres com mulheres, beijam-se no rosto.

Compras. Depois do culto, os fiéis vão às compras. O comércio no entorno da igreja _nas ruas Vis­ conde de Parnaíba e Almirante Brasil_ pertence a membros da congregação. A maioria, lojas de instrumentos, abertas depois do culto.

Nas barraquinhas armadas aos domingos, vendem-se CDs com a gravação dos hinos, procedimentos que contrariam os ensinamentos.

Fonte: Folha/uol


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