AS MARCAS DE JESUS
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Jesus deve levar a cruz sozinho, E o mundo inteiro ficar isento?

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Jesus deve levar a cruz sozinho, E o mundo inteiro ficar isento?

Mensagem por Admin em Qua Jul 02, 2014 7:12 pm



Por William Hendriksen


O fato de que entre os homens haverá, de um lado, os que confessam a Jesus, e, do outro, os que o negam, indica que a vinda de Cristo trouxe divisão (ver v. 21). Esse pensamento é expresso de uma forma concisa nas palavras de Jesus como são registradas nos versículos 34, 35. Não pensem que vim trazer paz à terra. Não vim trazer paz, e, sim, espada. Pois vim pôr um homem contra seu pai, uma filha contra sua mãe e uma nora contra sua sogra. Temos aqui um mashal; ou seja, um dito paradoxal, que soa de forma incrível! Que ele é contrário à opinião prevalecente, indica-se por suas palavras iniciais: “Não pensem que…” Cf. 3:9; 5:17; Jo. 5:45. O que Jesus diz aqui leva a pessoa que ouve ou lê a uma chocante surpresa ou descrença. A reação natural a essa surpreendente afirmação seria: “Como é possível isso ser verdade? Cristo não é “o Príncipe da paz” (Is. 9:6)? Não é ele aquele que chama bem-aventurados os pacificadores (Mt. 5:9)? Se ele não veio trazer paz, como as seguintes passagens seriam verazes: Sl. 72:3, 7; Lc. 1:79; 2:14; 7:50; 8:48; Jo. 14:27; 16:33; 20:19,21; Rm. 5:1; 10:15; 14:17; Ef. 2:14; Cl. 1:20; Hb. 6:20-7:2? Todas elas não proclamam em termos vigorosos a Jesus como “o Portador da paz?

Não obstante, é mister que nos lembremos de que a característica de muitos mashal é colocar ênfase num aspecto da verdade em vez de pô-la numa proposição que é universalmente válida. Ver meus comentários sobre Mt. 5:34: “Não jurem de forma alguma.” O mérito de tais aforismos é que eles fazem uma pessoa parar e pensar por um instante.

Assim também aqui. Uma breve reflexão logo convencerá o atento estudante das Escrituras de que há certo sentido em que a vinda de Cristo a este mundo não só trouxe divisão, mas continha o propósito de agir assim. Se tal não fora seu propósito imediato, não estariam todos os homens perdidos (Jo. 3:3,5; Rm. 3:9-18)? Não teriam todos se precipitado na condenação? Além disso, mesmo na vida dos que finalmente se salvam, não é verdade que por meio de muitas tribulações devem eles entrar no reino de Deus (At. 14:22)? Não é a vida do crente uma vida de tempestade e tensão? Seguramente, enfim tudo é paz, mas, o mesmo Paulo que exclama: “Graças a Deus por meio de Jesus Cristo nosso Senhor”, também se queixa: “Miserável homem que sou!” (Rm. 7:24,25). Além do mais, haverá amargos oponentes. Aqui “na terra”, ou seja, durante esta presente dispensação, os seguidores de Cristo devem esperar “a espada”. Essa palavra é aqui usada para simbolizar o próprio oposto de paz; daí, a “divisão” (Lc. 12:51), resultando em perseguição. É assim que se evidenciará quem está e quem não está do lado do Senhor. E é assim que “os pensamentos de muitos corações se revelarão” (Js. 5:13,14; Mt. 21:44; Lc. 2:34,35; 20:18). A entrada de Cristo neste mundo o divide em dois: o parte, corta em dois, e ao fazer assim “põe” ou “volta” uma pessoa contra a outra.

A fé não só cria divisão entre uma raça e outra, um povo e outro, uma igreja e outra; ainda produz divisão na família, que na realidade é às vezes a mais aguda das divisões. Quanto a isso, Lc. 12:52, 53 menciona “cinco” membros da família que vivem todos sob o mesmo teto: pai, mãe, filha solteira, filho casado e sua esposa (a nora dos pais). Em decorrência da relação que esses vários membros assumem para com Cristo, há intensa tensão entre eles. Aqui em Mateus, a melhor interpretação poderia ser que a mãe, por causa de sua fé em Cristo, está recebendo oposição da filha solteira e da nora; semelhantemente, o pai crente recebe de seu filho. Alusivo a Miquéias 7:6. (ver meu comentário sobre v. 21), segue-se um sumário dos versículos 34, 35 no versículo 36. Os inimigos de um homem [serão] os membros de sua família. Entre as ilustrações bíblicas da fé que em certo sentido se torna divisor de famílias estão as seguintes: em cada caso, o primeiro membro do par é o que se opõe à fé. É ele o real inimigo pessoal, e deve, portanto, levar a responsabilidade da divisão: Caim versus seu irmão Abel (Gn. 4:8; cf. 1Jo. 3:12);Maaca se declarou contra seu filho Asa (1Rs. 15:13); e Nabal se opôs a sua esposa Abigail (1Sm. 25:2,3,10,11,23-31). Nos últimos dois exemplos, a história enfatiza a reação da fé, em vez da ação do incrédulo. Ver também 2Sm. 18:33; Sl. 27:10; e 1Co. 7:12-16. Uma escolha tem de ser feita. E tem de ser uma escolha certa, mesmo que isso signifique um filho alienar-se de seus pais, ou vice-versa: 37. Quem ama pai ou mãe mais do que a mim, não é digno de mim; quem ama filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim… Pertencer a Cristo é um privilégio tão inestimável, que nenhuma outra relação pode substituí-lo. É um dever tão imperativo, que nenhuma outra obrigação é mais obrigatória. Ver Atos 5:29. Se a escolha é entre um pai ou Cristo, a vontade do pai, não importa quão ardente seja, deve ser rejeitada; se é entre um filho ou Cristo, que a vontade do filho, não importa quão veementemente seja, deve ser sobrepujada. Isso deve ser feito devido à predominância do amor por Cristo. Os que rejeitam essa suprema lealdade a Jesus “não são dignos” dele, ou seja, não merecem pertencer-lhe e ser honrados por ele.

A disposição de se sacrificar por Cristo e sua causa deve ser total. Portanto, as palavras: “Quem ama pai e mãe… filho ou filha mais do que a mim não é digno de mim” são imediatamente seguidas pelo versículo 38. E quem não toma sua cruz e vai após mim, não é digno de mim. A figura de linguagem deriva do costume então prevalecente segundo o qual a pessoa sentenciada à morte de crucifixão era obrigada a carregar sua própria cruz até ao lugar da execução (Jo. 19:17). Levar a cruz após Jesus tornou-se então um símbolo da disposição de suportar a dor, a vergonha e a perseguição por amor a ele e à sua causa. Deve-se enfatizar nessa conexão que o termo, levar a cruz, não está sendo usado apropriadamente, ou seja, no pleno sentido bíblico, quando se faz referência de maneira muito geral a algum tipo de aflição que acaso tenha visitado uma pessoa durante o curso de sua vida terrena; por exemplo, reumatismo ou perda de audição. É preciso também resguardar-se de um erro um pouco semelhante. Ao falar de se levar a cruz, precisa-se ter cuidado para não privar o sofrimento de Cristo de seu singular valor e significação. Isso aconteceu amiúde; por exemplo, quando se interpretam mal as seguintes linhas, atribuídas a Thomas Sheperd (1665-1739):

Jesus deve levar a cruz sozinho,
E o mundo inteiro ficar isento?
Não, há uma cruz para cada um,
E há também uma cruz para mim.

Se porventura a explicação disso for que a amarga agonia de Cristo era simplesmente uma dentre muitas, o que restará da verdade com referência ao caráter vicário e valor infinito de seu sacrifício? À luz da plena revelação bíblica, levar a cruz, aplicado ao crente, só pode ter um significado único, a saber, “levar seu vitupério” de forma submissa e cheia de regozijo (Hb. 13:13; cf. At. 5:41). Isso procede acerca daqueles que, vindo como podem, o seguem por onde quer que ele vá, confiam em seu sangue remidor, refletem sua mente (Jo. 13:15; 2Co. 8:7,9; Ef. 4:32-5:2; Fp. 2:5; 1Pe. 2:21); e o proclamam. Quanto a “não é digno de mim”, ver sobre o versículo precedente.

Com base no dito de Cristo como se acha registrado aqui no versículo 38, os discípulos, por esse tempo, entendiam que Jesus ia ser crucificado literalmente? Provavelmente não; pois, a. essa passagem estabelece um princípio, ensina uma lição que possui sentido mesmo à parte da antecipação da cruz do Calvário; e b. se mesmo as claras predições posteriores de Cristo acerca de sua própria morte na cruz que se avizinhava (16:21; 17:22,23; 20:17- 19; e passagens paralelas nos outros Evangelhos) eles não entendiam (ver supra, sobre o v. 27), é de todo provável que nesse estágio preliminar tenham interpretado o que está registrado no versículo 38 como, em algum sentido, uma referência ao Calvário? Para nós, a revelação ao Calvário é clara.

A pessoa que recusa levar a sério a lição do versículo 38 sofrerá perda total. Para o outro tipo de pessoa, há um rico galardão: versículo 39. Quem achar a vida, a perderá; e quem perder sua vida por amor de mim, a achará. O que “sua vida” significa nessa conexão? Com toda probabilidade, pela influência do uso idiomático hebreu, significa simplesmente a própria pessoa. Isso se faz evidente à luz de passagens em que os dois termos “vida” e “si mesmo” são usados intercambiavelmente: “O Filho do homem veio para dar sua vida em resgate de muitos” (Mt. 20:28;Mc. 10:45; ver também Is. 53:12 e Jo. 10:11). Agora compare “… que deu a si mesmo em resgate de muitos” (1Tm. 2:6).Melhor ainda, pois está próximo do pensamento de Mateus 10:39, é Lucas 9:23,24: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome diariamente sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar sua vida, a perderá; e
quem perder sua vida por amor de mim, a salvará.”

Conseqüentemente, e também à luz de passagens paralelas, as palavras de Cristo podem ser parafraseadas assim: “A pessoa que, quando a questão é entre mim e o que ela considera de seu próprio interesse, escolhe o último, crendo que ao fazer assim está ‘achando’ a si própria, ou seja, está encontrando uma posição mais firme para sua vida plena, será amargamente decepcionada. Ela perderá em vez de ganhar. Sua felicidade e utilidade diminuirão e murcharão em vez de aumentar. Por fim perecerá eternamente.

Em contrapartida, aquele que, confrontado com a escolha, entrega a si mesmo, ou seja, nega a si mesmo por lealdade a mim, dispondo-se, se necessário for, a pagar com um sacrifício supremo, alcançará uma autorealização completa. Terá vida, e a terá da forma mais plena, até que, finalmente, participe comigo da glória e da minha segunda vinda e do novo céu e nova terra. Entre as passagens em que o mesmo ou semelhante pensamento se expressa, e que derramam luz obre o significado de Mateus 10:39, estão (além de Lc. 9:23-24) Mt. 16:26; Mc. 8:34-38; Lc. 17:32,33; Jo. 12:25,26.

Ilustrando as duas dispensações contrastadas no versículo 39:

a. o lago ou mar que tem uma entrada para a água, mas não uma via de escape, em contraste com aquele que tem ambas;

b. a furiosa corrente antes de ser canalizada, em contraste com a mesma corrente depois de haver sido canalizada uma parte dela e haver construído um dique para transformá-la num lago muito útil com seus canais de irrigação.

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