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Os ídolos do coração.

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Os ídolos do coração.

Mensagem por MateusAlcântara em Seg Out 27, 2014 11:48 am

Por Pr. Sérgio Pereira

Ao ministrar a escola dominical no ultimo domingo fui surpreendido pelo comentário da revista quase no final de lição fazendo alusão aos ídolos do coração. Confesso que foi a parte que mais me empolgou no assunto da refeida lição.
Observe as palavras de Ezequiel 14.3: “Filho do homem, estes homens levantaram os seus ídolos dentro do seu coração, tropeço para a iniqüidade que sempre têm eles diante de si; acaso, permitirei que eles me interroguem?”.
A palavra hebraica para ídolos usada por Ezequiel é gillûl, que significa “tora sem forma, bloco vazio”, referindo-se assim para mostrar a inutilidade, futilidade e incapacidade dos ídolos adorados pelo povo. Por sua vez a palavra hebraica para coração utilizada por Ezequiel é leb que quer dizer: “ser interior, mente, vontade, coração e inteligência”.
Diferentemente do uso mais comum do termo, o profeta Ezequiel o aplica à adoração que ocorre dentro do coração humano. A referência não é a imagens, estátuas ou coisas semelhantes, mas a tudo que o coração do homem venha a adorar dentro de si. O contexto indica que “ídolo do coração” é tudo aquilo que ocupa o lugar de Deus na vida de alguém: “porque qualquer homem da casa de Israel ou dos estrangeiros que moram em Israel que se alienar de mim, e levantar os seus ídolos dentro do seu coração, e tiver tal tropeço para a iniqüidade, e vier ao profeta, para me consultar por meio dele, a esse, eu, o SENHOR, responderei por mim mesmo” (Ez 14.7). O texto deixa claro que aquele que se aproxima de ídolos está se afastando de Deus. Isso acontece pelo fato de que o coração humano não comporta a dedicação dupla. A Bíblia destaca o fato de que é impossível servir a dois senhores (Mt 6.24). Desse modo, ao se aproximar de um ídolo o homem está se distanciando de Deus. O resultado natural disso é que esta escolha se torna motivo de constante tropeço para o idólatra, que tem o seu comportamento moldado por aquele a quem serve. Como a própria expressão deixa claro, a idolatria ocorre no coração. Levando em conta o uso do termo “coração” nas Escrituras, podemos concluir que a idolatria afeta o entendimento e crenças (cognitivo), as emoções e desejos (afetivo) e vontades (volitivo).
João Calvino dizia que “o coração é uma fábrica de ídolos”. Embora nossa idéia de idolatria esteja associada à adoração de imagens e a criação de imagens, as Escrituras descrevem a idolatria como um problema do coração do homem.
A idolatria é a substituição de DEUS por outro ser ou coisa que assume maior importância em nossa vida. Ao falar de coração a Bíblia fala das três principais operações do homem interior: mente, afeições e vontade. Em vez de pensar nestes três aspectos (mente, afeições e vontade) como sendo separados e isolados um do outro, pense neles como operando continuamente em conjunto, um com o outro.
No Antigo Testamento a idolatria refere-se ao desvio do homem de Deus. Por sua vez, o Novo Testamento traz na palavra “desejos” (gr. epithumiai) a característica e o resumo para o mesmo desvio.
Vivenciamos uma época de conflito de princípios e inversão de valores sem precedentes. Condenamos os idolatras que se curvam diante de Maria e outros santos do Catolicismo Romano, mas erroneamente alimentamos desejos e prazeres internos que ocupam o lugar que é de Deus em nossas vidas e corações.
Temos precisado de algo mais além de Deus para que a vida tenha mais significado ou sejamos mais felizes e se isso estiver acontecendo em nossas vidas, então tal coisa funciona como meu ídolo!
Adoramos e veneramos as bênçãos, por elas cometemos os mais absurdos erros e desvios doutrinários, esquivando-nos de participar dos ensinamentos bíblicos pois os fins estão justificando os meios. Pergunto: como podemos saber se adoramos mais as bênçãos do que ao Deus verdadeiro? Duas respostas:
(1) Se eu estiver disposto a pecar para conseguir o que mais quero. A ética atual é a ética do momento, da conveniência. Estamos mais preocupados com resultados do que com a verdade; buscamos mais a conveniência pessoal do que fazer o que é certo diante de Deus. Preferimos o que dá certo ao invés do que é certo.
(2) Se quando eu não conseguir o que quero a minha reação for pecaminosa, é sinal de que o coração está cheio de ídolos.
O que quero, em si, não é necessariamente pecado! Mas a intensidade com que busco me leva a pecar. (Mt 22.37; 6.33). A questão mais profunda aqui não é o que motiva a buscar as bênçãos mas, quem é o senhor dos padrões de pensamento, sentimentos ou comportamento. Quem além de Deus ocupa minhas convicções e meus desejos? O que se observa em pessoas com ídolos no coração é que as tais nunca estão satisfeitas, sempre precisam de algo mais para se sentir realizado.
Muitas coisas têm ocupado nossas mentes sufocando a presença de Deus: o desejo incontrolado por fama, poder e dinheiro; a crescente manipulação de interesses; a busca ansiosa por reconhecimento; a família; os bens materiais; as posições eclesiásticas (disputadíssimas por sinal nos últimos dias); e tantos outros ídolos que tem deixado o nosso Deus em segundo plano.
Temos servido a Jesus sem compromisso, somos discípulos de improviso, vivenciamos um evangelho superficial. Alguns cristãos têm apenas um verniz, uma casca de piedade, mas nenhuma essência de santidade (Cl 2.20-23).
Deus nos chama a responsabilidade para consagrar a Ele todo o nosso coração: “E agora, ó Israel, que é que o Senhor, o seu Deus, lhe pede, senão que tema o Senhor, o seu Deus, que ande em todos os Seus caminhos, que O ame e que sirva ao Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração e de toda a sua alma, e que obedeça aos mandamentos e aos decretos do Senhor, que hoje lhe dou para o seu próprio bem” (Dt 10.12,13).
Urge entendermos novamente as palavras de Jesus a Marta: “mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada” (Lc 10.42).
Precisamos discernir entre o que é santo e o que é profano (Lv 10.10; Ez 44.23), precisamos deixar de lado a duplicidade religiosa, a falsidade, as máscaras que nos escondem por certo tempo, mas não são afiveladas com segurança tamanha que Deus não possa tirar e desmascarar. Precisamos ser boca de Deus e só o seremos se separamos o precioso do vil (Jr 15-19-21).
“Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém!” (I Jo 15.21)

Fonte: http://prsergiopereira.blogspot.com.br/2009/05/os-idolos-do-coracao.html

MateusAlcântara
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