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Moisés explicando a queda do homem (A Divina Permissão do Pecado )

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Moisés explicando a queda do homem (A Divina Permissão do Pecado )

Mensagem por Admin em Sab Fev 21, 2015 2:38 pm



João Calvino (1509-1564): A Divina Permissão do Pecado - Comentário sobre Gênesis 1:1-3

1. Neste capítulo, Moisés explica, que o homem, depois de ter sido enganado por Satanás revoltado com seu Criador, tornou-se totalmente alterado e muito degenerado, porque a imagem de Deus, na qual ele havia sido formado, foi obliterada.

Ele,então, declara, que o mundo todo, o qual havia sido criado por causa do homem, caiu junto com ele de seu estado original, e que desta maneira muito da sua excelência nativa foi destruída. Mas aqui surgem muits e árduas questões.

Pois quando Moisés diz que a serpente era mais astuta do que todos os outros animais, ele parece indicar, que ela tinha sido induzida a enganar o homem, não por instigação de Satanás, mas por sua própria malignidade.

Eu respondo, que a sutileza inata da serpente não impediu Satã de fazer uso do animal para a finalidade de realizar a destruição do homem. Porque, uma vez que ele precisava de um instrumento, ele escolheu, dentre os animais o que viu que seria mais apropriado para ele: enfim, ele cuidadosamente planejou o método pelo qual a armadilha que estava se preparando poderia ser mais facilmente apanhar a mente de Eva pela surpresa.

Até então, ele não tinha realizado nenhuma comunicação com os homens, por isso, vestiu-se com a pessoa de um animal, no qual pode abrir para si o caminho de acesso. Mas sobre isso não há concordância entre os intérpretes em que sentido a serpente é dita ser (aroom, sutil), palavra pela qual os hebreus designam os prudentes, bem como ao astuto. Alguns, portanto, tomariam isso num sentido positivo e outros num sentido ruim.

Eu creio, no entanto, que Moisés não quis apontar isso tanto como uma falha, mas como um atributo louvável da natureza, porque Deus dotou esta besta com tal habilidade singular, ao dispensar a ela perspicácia e rápida visão mais do que todas as outras. Mas Satanás perverteu para seus próprios fins traiçoeiros o dom que tinha sido divinamente comunicado à serpente.

Alguns capciosamente argumentam com sofismas que mais perspicácia é agora encontrada em muitos outros animais. Para os quais eu respondo que não haveria nada de absurdo em dizer que o dom que se revelou tão destrutivo para a raça humana tenha sido retirado da serpente, da mesma forma, como veremos mais adiante, que outras punições também foram infligidas sobre ela.

No entanto, nesta descrição, os escritores sobre a história natural não diferem substancialmente de Moisés, e a experiência dá a melhor resposta para a objeção, pois o Senhor não ordena em vão os seus discípulos a serem "prudentes como as serpentes" (Mateus 10:16.) Mas parece que, talvez, pouco harmônico com a razão, que somente a serpente seria aqui apresentada, todas as referências de Satanás sendo suprimidas. Reconheço, na verdade, que dessa passagem isolada nada mais pode ser coletado além de que os homens foram enganados pela serpente.

Mas os testemunhos da Escritura são suficientemente numerosos, nos quais é claramente afirmado que a serpente era apenas a boca do diabo, porque não é a serpente, mas sim o diabo que é declarado ser "o pai da mentira ', o criador da falsidade, e o autor da morte. A questão, porém, ainda não está resolvido, porque Moisés manteve oculto o nome de Satanás.

Eu de bom grado subscrevo a opinião daqueles que afirmam que o Espírito Santo, então, de forma proposital utilizou figuras obscuras, porque convinha que a luz clara e completa fosse reservada para o reino de Cristo. Entretanto, os profetas provam que estavam bem familiarizados com o sentido pretendido por Moisés, quando, em diferentes lugares, jogam a culpa da nossa ruína no diabo.

Nós dissemos em outro lugar, que Moisés, por um rústico e não desenvolvido estilo, acomoda o que ele transmite à capacidade das pessoas, e por uma ótima razão, pois não ele não só tinha que instruir uma raça de homens iletrados, mas também a idade da igreja na época era tão pueril, que era incapaz de receber qualquer instrução mais elevada. Não há, portanto, nada de absurdo na suposição de que eles, os quais, para o tempo em que viveram, nós sabemos e confessamos terem sido apenas como crianças e foram alimentadas com leite. Ou (se outra comparação for mais aceitável) Moisés de forma alguma seria culpado, se, considerando o cargo de mestre como imposto sobre ele, persiste em rudimentos adequados para as crianças. Eles que têm uma aversão a essa simplicidade, devem necessariamente condenar toda a economia de Deus no governo da Igreja.

Isso, no entanto, pode nos bastar, porque o Senhor, pela iluminação secreta do seu Espírito, fornece o que quer que seja necessário de clareza em expressões exteriores; como aparece claramente dos profetas, que viram Satanás sendo o verdadeiro inimigo da raça humana, o inventor de todos os males, equipado com todo tipo de fraude e vilania para ferir e destruir. Portanto, embora os ímpios façam uma barulheira, não há nada que nos ofenda neste modo de falar pelo qual Moisés descreve Satanás, o príncipe da iniqüidade, sob a pessoa do seu servo e instrumento, no tempo em que Cristo, o Cabeça da Igreja, e o Sol da Justiça, ainda não tinha abertamente resplandecido.

Adicione a isso, a baixeza da ingratidão humana que aí é mais claramente percebida, pois Adão e Eva sabiam que todos os animais foram dados, pela mão de Deus, em submissão a eles, mas ainda assim eles sofreram em si mesmos por terem sido levados por um dos seus próprios servos em rebelião contra Deus. Sempre que eles vissem um dos animais que estavam no mundo, eles deveriam se lembrar tanto da autoridade suprema quanto da singular bondade de Deus, mas, de forma contrária, quando viram na serpente um apóstata seu Criador, não só negligenciaram puni-la, mas, em violação de toda a ordem legal, eles se sujeitaram e se devotaram a ela, como participantes na mesma apostasia. O que se pode imaginar como mais desonroso do que esta extrema depravação? Assim, entendo o nome da serpente, não alegoricamente, como alguns tolamente fazem, mas no seu sentido genuíno.

Muitas pessoas se surpreendem que Moisés simplesmente, e abruptamente, relata que os homens caíram pelo impulso de Satanás para a destruição eterna, e ainda assim nunca por uma única palavra explica como o próprio tentador se revoltou contra Deus. E disso tem se levantado, por alguns homens fanáticos, o sonho de que Satanás foi criado mau e perverso como ele é descrito aqui. Mas a revolta de Satanás é provada por outras passagens das Escrituras, e é uma ímpia loucura atribuir a Deus a criação de qualquer natureza perversa e corrupta, pois quando havia terminado o mundo, Ele mesmo deu esse testemunho a todas as suas obras: “que elas eram muito boas”.

Portanto, sem controvérsia, devemos concluir que o princípio do mal que Satanás era dotado não era de natureza, mas de deserção, porque ele se apartou de Deus, a fonte da justiça e de toda retidão. Moisés, porém, aqui passa por cima da queda de Satanás, porque seu objetivo é brevemente narrar a corrupção da natureza humana, para nos ensinar que Adão não foi criado para aquela múltiplas misérias sobre as quais todos os seus descendentes sofrem, mas que ele caiu nelas por sua própria culpa . Ao refletir sobre o número ea natureza dos males de que são detestáveis, os homens são frequentemente incapazes de conter-se de fúria e murmuram contra Deus, a quem eles censuram precipitadamente para a justa punição de seus pecados.

Estas são as suas bem conhecidas queixas de que Deus tem agido mais misericordiosamente para suínos e cães do que a eles. De onde isso vem a não ser que eles não atribuem o estado miserável e arruinado, sob o qual definham, ao pecado de Adão como deveriam? Mas o que é muito pior, arremessam de volta para Deus a acusação de ser a causa de todos os interiores vícios da mente, (tais como a horrivel cegueira, rebeldia obstinada contra Deus, maus desejos e propensões violentas para o mal;) como se toda a perversidade de nossa disposição não tivesse sido acidental. 1

O designio, portanto, de Moisés era mostrar, em poucas palavras, como nossa condição atual difere grandemente do nosso estado original, a fim de que possamos aprender, com a confissão humilde de nossa culpa, a lamentar nossos males. Não devemos, então, ser surpreendidos, que, enquanto ele se concentrava na história que propôs relatar, não tenha discutido cada tópico que pode ser desejado por quem quer que seja.

Nós devemos, agora, entrar nessa questão pela qual as mentes vãs e inconstantes são grandemente agitadas, a saber: Por que Deus permitiu que Adão fosse tentado, uma vez que o triste resultado não era de nenhuma maneira oculto a Ele? Porque nós atribuímos ao juízo e à vingança, em consequência da alienação do homem de Deus, Ele relaxar as rédeas de Satanás, permitindo que nos tente ao pecado, mas não havia a mesma razão para fazer isso quando a natureza humana era ainda pura e reta . Deus, portanto, permitiu que Satanás tentasse o homem, o qual era conforme Sua própria imagem, e ainda assim isso não implicou em qualquer crime, tendo, além disso, nesta ocasião, permitido a Satanás o uso de um animal³ que de outra forma nunca teria obedecido e ele, e o que mais era isso, do que uma arma do inimigo para a destruição do homem?

Esse parece ter sido o fundamento sobre o qual os maniqueus sustentaram a existência de dois princípios. 4 Portanto, eles imaginaram que Satanás, não estando em submissão a Deus, preparou a armadilha para o homem em oposição à vontade divina, e não foi superior somente ao homem, mas também ao próprio Deus. Assim, por uma questão de evitar o que temiam como um absurdo, eles cairam execráveis prodígios de erro, como por exemplo, que existem dois deuses, e não um único Criador do mundo, e que o primeiro Deus foi superado por seu antagonista. Todos, entretanto, que pensam piedosamente e reverentemente sobre o poder de Deus, reconhecem que o mal não ocorreu, exceto por sua PERMISSÃO.

Pois, em primeiro lugar, é preciso reconhecer que Deus não estava na ignorância do evento que estava prestes a ocorrer, e então, que Ele poderia ter evitado isso, tivesse achado apropriado fazê-lo. Mas ao falar de PERMISSÃO, eu entendo que Ele tinha designado tudo o que desejava que fosse feito. Aqui, certamente, uma diferença se levanta por parte de muitos, que supõem que Adão foi tão entregue ao seu próprio livre arbitrio, que Deus não queria que ele caísse. Eles tomam como certo, o que eu concedo a eles, que nada é menos provável do que Deus ser considerado como a causa do pecado, o qual vingou com tantas e tão severas penalidades. Quando digo, porém, que Adão não caiu sem a ordenação e a vontade de Deus, eu não digo isso como se o pecado alguma vez tivesse sido agradável a Ele, ou como se Ele simplesmente desejasse que o preceito que tinha dado fosse violado.

Tanto quanto a queda de Adão foi a subversão da equidade e da ordem bem-constituída, e também a rebeldia obstinada contra o divino Legislador, e a transgressão da justiça, certamente era contra a vontade de Deus; ainda assim nenhuma dessas coisas faz impossivel que, por uma certa causa, embora desconhecida para nós, Ele possa desejar a queda do homem. Ofende os ouvidos de alguns, quando se diz que Deus quis esta queda, mas o que mais (eu suplico) é a PERMISSÃO Dele, que tem o poder de evitar e, em cuja mão toda a questão é colocada, senão Sua vontade? Eu anelo que os homens preferissem sofrer em si mesmos ao ser julgados por Deus, do que, com ousadia profana, venham a julgar a Deus; mas essa é a arrogância da carne, submeter a Deus ao seu próprio teste.

Eu sustento como um firme axioma, que não há nada mais inadequado ao caráter de Deus do que ser dito por nós que o homem foi criado por Ele, com o propósito de ser colocado em uma condição de suspense e dúvida. Portanto, concluo que, como se convinha ao Criador, Ele antes tinha de determinar consigo mesmo qual seria a condição futura do homem. Disso o inábil precipitadamente infere que o homem não pecou por LIVRE ESCOLHA. Pois o homem se percebe sendo condenado pelo testemunho de sua própria consciência, porque ele teve muita LIBERDADE em pecar. Se ele pecou por necessidade, ou por contingência, é outra questão, a respeito da qual ver as Institutas e o Tratado sobre a Predestinação.

Fonte: http://www.biblestudyguide.org/comment/calvin/comm_vol01/htm/ix.htm
Tradutor: Emerson Campos Pinheiro

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