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A Conversão de David Brainerd (1718 – 1747)

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A Conversão de David Brainerd (1718 – 1747)

Mensagem por Admin em Ter Abr 07, 2015 7:55 pm




David Brainerd foi um notável missionário entre os índios na América do Norte. Morreu aos 29 anos, mas sua autobiografia deixada em seu diário e repassada por Jonathan Edwards nos traz o exemplo de um homem que procurou viver para glória de Deus e nos faz ver quão longe estamos de nos parecer com Cristo. Hoje faz 267 anos que David Brainerd morreu. Colocamos para o leitor um resumo de sua conversão contada por ele mesmo.

DB“Por centenas de vezes renunciei a todas as pretensões de qualquer valor em meus deveres, ao mesmo tempo em que os realizava; e com frequência confessei a Deus que eu nada merecia pelos melhores deles, a não ser a condenação eterna; ainda assim tinha uma esperança secreta de recomendar-me a Deus mediante os meus deveres religiosos. Quando orava emotivamente e meu coração, em alguma medida, parecia enternecer-se, esperava que, por causa disso, Deus teria piedade de mim. Nessas ocasiões, havia alguma aparência de bondade em minhas orações e eu parecia estar lamentando pelo pecado. Em alguma medida aventurava-me na misericórdia de Deus em Cristo, como eu pensava, ainda que o pensamento preponderante, o alicerce de minha esperança, era alguma imaginação de bondade em meu enternecimento de coração, no calor de meus afetos e na extraordinária dilatação de minhas orações.

Havia momentos em que a porta me parecia tão estreita que eu via como impossível entrar; mas noutras ocasiões lisonjeava-me, dizendo que não era assim tão difícil, e esperava que, por meio da diligência e da vigilância acabaria conseguindo. Algumas vezes, depois de muito tempo em devoções e em forte emoção, achava que tinha dado um bom passo na direção do céu e imaginava que Deus fora afetado assim como eu, e ouviria tais sinceros clamores, como eu os chamava. E assim, por várias vezes, quando me retirava para oração secreta, em grande aflição, eu voltava confortado; e desta forma procurava curar a mim mesmo com meus deveres.

Algumas vezes eu era grandemente encorajado e imaginava que Deus me amava e se agradava de mim, e pensava que em breve estaria completamente reconciliado com Deus. Mas tudo isto estava fundamentado em mera presunção, surgindo da ampliação dos meus deveres, ou do calor das afeições, ou de alguma boa resolução, ou coisas similares. (…) Assim, embora anelasse diariamente por uma maior convicção de pecado, supondo que tinha de perceber mais do meu temível estado para que pudesse remediá-lo, quando as descobertas do meu ímpio coração foram feitas, a visão era tão aterradora, e mostrava-me tão cristalinamente minha exposição à condenação, que não podia suportá-la.

Antes costumava imaginar que meu coração não era tão mau quanto as Escrituras e alguns livros o descreviam. Algumas vezes, esforçava-me dolorosamente para moldar uma boa disposição, uma disposição humilde e submissa; e esperava que houvesse alguma bondade em mim, mas de súbito, a ideia da rigidez da lei ou da soberania de Deus irritava tanto a corrupção do meu coração, o qual eu tanto vigiara e esperava ter trazido à uma boa disposição, que tal corrupção rompia todas as algemas, e explodia por todos os lados, como dilúvios de águas quando desmoronam uma represa. (…) Eu tinha a maior certeza de que, por mais que eu fizesse, meu estado de alma continuaria miserável para sempre, e admirei-me que nunca tivesse percebido isso antes.

Enquanto permaneci nesse estado, minhas noções sobre meus deveres eram bem diferentes daquilo que nutrira em tempos passados. Antes, quanto mais cumpria meus deveres, mais difícil achava que seria para Deus rejeitar-me, ainda que, ao mesmo tempo, eu confessasse e pensasse que percebia não haver qualquer bondade ou mérito em meus deveres. Agora, porém, quanto mais orava ou fazia qualquer dever, mais via que estava endividado com Deus, por Ele me permitir pedir por misericórdia; pois notava que o egocentrismo tinha me levado a orar e que nunca tinha orado uma vez sequer, motivado por qualquer respeito para com a glória de Deus. Agora percebia que não havia qualquer conexão necessária entre as minhas orações e a concessão de misericórdia divina; que elas não colocavam sobre Deus a mínima obrigação de conferir-me sua graça; e que não havia mais virtude ou bondade nelas do que em tentar remar com as mãos; e isso porque não eram feitas motivadas por qualquer amor ou consideração para com Deus. Percebi que vinha acumulando as minhas devoções diante de Deus, jejuando, orando, fingindo, ou algumas vezes realmente pensando que visava a glória de Deus, quando de fato eu não a buscava, mas somente minha própria felicidade.

Oh, quão diferentes pareciam agora os meus deveres do que costumavam parecer! Costumava atribuir-lhes pecado e imperfeição, mas isto acontecia somente por causa dos pensamentos vagos e vãos que os acompanhavam, e não por causa da falta de consideração por Deus, pois isto eu achava que tinha. Mas quando vi claramente que nada considerava a não ser meus próprios interesses, então meus deveres pareceram-me um vil escárnio de Deus, uma auto-adoração, e um caminho recoberto de mentiras.

Tendo assim estado me esforçando a orar por quase meia hora, embora, como pensei, isso fosse muito estúpido e insensato; então, quando caminhava num bosque espesso e escuro, uma glória indizível pareceu-me ter aberto os olhos e a compreensão da minha alma. Não estou falando de qualquer esplendor externo, porquanto não vi tal coisa; e nem quero referir-me a qualquer imaginário corpo de luz, em algum lugar no terceiro céu, ou a qualquer coisa desta natureza. Foi uma nova compreensão ou visão interior que tive de Deus, tal como nunca tivera antes, nem ainda qualquer coisa que tivesse a mínima aparência desta compreensão.

Permaneci quieto, admirado e maravilhado! Eu sabia que nunca antes percebera qualquer coisa comparável com aquilo, em excelência e beleza; foi algo diferente de todas as noções que tivera sobre Deus ou das coisas divinas. Não recebi compreensão particular de qualquer das pessoas da Trindade, mas parecia-me estar contemplando a glória divina. Minha alma rejubilou-se com uma alegria indizível, por contemplar tal Deus, tal divino e glorioso ser; e interiormente sentia-me deleitado e satisfeito, pelo fato de que Ele seria Deus sobre tudo e para todo sempre. Minha alma estava tão cativada e deleitada com a excelência, a amabilidade, a grandeza e outras perfeições de Deus, e estava tão absorvida nEle, que eu não pensava, conforme lembro, acerca de minha própria salvação, e mal refletia que existia tal criatura como eu.

Foi assim que Deus, eu creio, trouxe-me à uma disposição, de todo coração, de exaltá-lo, de entronizá-lo e de, suprema e finalmente, visar sua honra e glória como Rei do Universo. (…) Senti-me docemente sereno por toda a noite que se seguiu. Sentia-me em um mundo novo e tudo ao meu redor aparecia com um aspecto diferente do que aparecera antes.”



A vida de David Brainerd entre os Índios. Por Jonathan Edwards.
Tradução em português pela Editora Fiel.

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