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As duas sabedorias de Javé.

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As duas sabedorias de Javé.

Mensagem por MateusAlcântara em Seg Jun 19, 2017 11:50 am

Por: G.M Brasilino

“Assim diz o Senhor, o seu redentor, que o formou no ventre: Eu sou o Senhor, que fiz todas as coisas, que sozinho estendi os céus, que espalhei a terra por mim mesmo, que atrapalha os sinais de falsos profetas e faz de tolos os adivinhadores, que derruba o conhecimento dos sábios e o transforma em loucura, (Isaías 44:24,25)

Há duas sabedorias em conflito na Escritura. As duas são verdadeiras. Elas se apresentam por toda a Escritura, e por isso podem ser representadas por muitos textos; creio que os dois seguintes são suficientes:

PROVÉRBIOS 3:31-35
31 Não tenhas inveja do homem violento,
nem escolhas nenhum dos seus caminhos.
32 Porque o perverso é abominável ao Senhor,
mas com os sinceros ele tem intimidade.
33 A maldição do Senhor habita na casa do ímpio,
mas a habitação dos justos abençoará.
34 Certamente ele escarnecerá dos escarnecedores,
mas dará graça aos mansos.
35 Os sábios herdarão honra,
mas os loucos tomam sobre si vergonha.

ECLESIASTES 9:2,3
2 Tudo sucede igualmente a todos;
o mesmo sucede ao justo e ao ímpio,
ao bom e ao puro, como ao impuro;
assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica;
assim ao bom como ao pecador;
ao que jura como ao que teme o juramento.
3 Este é o mal que há entre tudo quanto se faz debaixo do sol;
a todos sucede o mesmo;
e que também o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade,
e que há desvarios no seu coração enquanto vivem,
e depois se vão aos mortos.

O livro de Provérbios foi escrito com propósito explicito de ensinar a sabedoria (Pv. 1:1-4), e declara bem-aventurado o homem que a encontra (Pv. 3:13-18). O Eclesiastes, por outro lado, depois aplicar seu coração à sabedoria, descobre a futilidade de todas as coisas (“Tudo é vaidade”), e que crescer em sabedoria é crescer em sofrimento (Ec. 1:17,18). Enquanto os autores dos Provérbios vivem num mundo compreensível, o Eclesiastes vive em meio à perplexidade.

O primeiro tipo de sabedoria apela para a justiça de Javé. Essa sabedoria quer ver o justo recompensado, o ímpio punido e o fraco defendido. “E essa é, de fato, a reivindicação primária da sabedoria proverbial: há uma equivalência entre atos realizados e consequências recebidas.” (Walter Brueggemann, Teologia do Antigo Testamento, Academia Cristã/Paulus, p. 466). Essa sabedoria vive sob uma semeadura universal: colhe-se o que se plantou. Como é possível que o juiz de toda a terra não faça justiça (Gn. 18:25)? Como ele permitira que a vida do justo fosse mais miserável que a do ímpio?

O segundo tipo de sabedoria, porém, não vê justiça neste mundo. Todos vivem a mesma vida; justos e ímpios vivem igualmente a alegria e a desgraça. Não se consegue ver qualquer providência distribuindo bênçãos e punições. O sofrimento do justo é uma experiência universal.

Essas duas formas de sabedoria se remetem à familiaridade e à inescrutabilidade de Javé, respectivamente. Essas duas dimensões da experiência do ser humano diante de Deus se alternam, e a própria Escritura reflete essa alternância. Os Salmos, cheios de esperança pelo livramento de Javé, por vezes confiam na punição do ímpio (Sl. 34) e por vezes experimentam o assombro diante da miséria do justo (Sl. 88).

É no Livro de Jó que essas duas formas de sabedoria se encontram. O justo Jó enfrenta todo tipo de desgraça em sua família, seus bens e sua saúde, sem nenhum motivo aparente. Seus amigos argumentam que, sendo Deus justo e soberano, jamais permite cair a desgraça sobre justo. Se Jó passa por sofrimento, certamente é uma punição.

No diálogo, Jó jamais blasfema contra Deus, mas é extremamente sincero em reconhecer sua própria situação como incompreensível. Jó não vê em si qualquer pecado que justifique sua própria situação. Famoso pela “paciência de Jó”, ele pergunta: “Como posso ter paciência, se não tenho futuro?” (Jó 6:11b)

Os amigos de Jó apelam para a infalibilidade da justiça de Deus; Jó apela para sua própria experiência, para a circunstancia vivenciada. O livro de Jó é um livro poético: seus diálogos foram escritos nos versos do paralelismo hebraico, e a linguagem figurativa abunda. Pode-se quase dizer que se trata de um diálogo entre diferentes Salmos. Os amigos de Jó pensam como o Sl. 34; Jó vive a cova do Sl. 88.

O livro de Jó termina sem uma resposta direta a essa questão, mas indiretamente a aparição de Javé diante de Jó fala muito. Jó é justo, mas não deve questionar os motivos divinos. Todo o seu drama terreno se deve a um drama celestial que não lhe é revelado. Javé age soberanamente, acima das palavras dos amigos de Jó. Como disse Chesterton, os enigmas de Deus valem mais que as soluções dos homens.

G. M. Brasilino

MateusAlcântara
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